MARCAS DO OBREIRO CHAMADO POR DEUS

MARCAS DO OBREIRO CHAMADO POR DEUS

por Ciro Sanches Zibordi

 

Leitura bíblica: Atos 20.17-38

 

INTRODUÇÃO

 

1. O livro de Atos nos apresenta sete pregações de Paulo — estamos diante do único exemplo de sermão de Paulo dirigido a cristãos; outros seis foram dirigidos a judeus e gentios:

a) Na primeira viagem — na sinagoga de Antioquia da Pisídia, na Ásia Menor (At 13.16-41).

b) Na segunda viagem — no Areópago, em Atenas, no sudeste da Grécia (At 17.22-31).

c) Como preso do Senhor, mais quatro:

- Em Jerusalém, na escada da Fortaleza Antônia, em hebraico, diante de uma multidão enfurecida (At 22.1-21).

- Em Cesareia, diante de Félix, governador romano da Judeia (At 24.10-21).

- Em Cesareia, diante de Herodes Agripa II (At 26.1-29).

- Em Roma, diante dos principais dos judeus (At 28.16-28).

 

2. O discurso de Paulo aos presbíteros de Éfeso é uma pregação autobiográfica pregado no fim da sua terceira viagem missionária — uma viagem de quase três anos e meio que começou em Antioquia da Síria, assim como as anteriores, mas não terminou; Paulo foi preso em Jerusalém (At 18.22—21.15).

a) Paulo parte de Antioquia da Síria — então, o principal centro irradiador do Evangelho; passa por Tarso, na Cilícia (sua terra natal), Derbe, Listra, Icônio, Antioquia da Pisídia (sul da Galácia), onde havia discípulos cheios de alegria (At 13.52), e, possivelmente, Colossos, e chega a Éfeso.

b) Paulo em Éfeso — principal cidade da província da Ásia (dentro da Ásia Menor, no continente asiático). Ali se estabelece e fica por cerca de três anos (At 20.31), pois uma porta grande e eficaz se lhe abrira (1 Co 16.8,9).

c) Paulo na Macedônia — passando por Esmirna e Pérgamo, chega a Trôade, onde Deus lhe abrira outra grande porta (2 Co 2.12-14), e parte para a Macedônia, a fim de revisitar as igrejas que havia fundado na sua segunda viagem: Filipos, Anfípolis, Apolônia, Tessalônica e Bereia.

d) Paulo em Corinto — como ele prometera (2 Co 13.10), passando por Atenas (sudeste da Grécia), desce a Corinto, na Acaia (sul da Grécia), onde fica por três meses, antes de partir rumo a Jerusalém.

e) Paulo começa a viagem a Jerusalém — atravessando a Acaia, passa novamente por várias cidades da Macedônia, Bereia, Tessalônica, Filipos, embarca para a Ásia Menor.

f) Paulo na Ásia Menor — desembarca em Trôade, onde fica por uma semana, e vai para Assôs (40 Km por terra). Dali, navega a Mitilene (capital da ilha de Lesbos) e, passando por Samos, chega a Mileto, um lugar de parada natural para os navios que iam para o sul, próxima de Éfeso cerca de 45 milhas (72 quilômetros).

g) Paulo em Mileto (muito famosa por causa da Escola de Mileto, berço da filosofia pré-socrática, de Tales, Anaximandro e Anaxímenes) — ele manda chamar os presbíteros de Éfeso:

- Paulo não quis passar por Éfeso, mas chamar os presbitérios de Éfeso — tinha havido muitas confusões ali antes de sua partida para a Europa; havia o risco de ele ser detido.

- Como os presbíteros foram reunidos? — Um mensageiro foi chamar os presbíteros, que não estavam no mesmo lugar; eles devem ter chegado a Mileto em 40 horas.

- No discurso autobiográfico do apóstolo Paulo aos presbíteros (anciãos) de Éfeso (At 20.17-38) identificamos marcas importantes de sua paradigmática vida ministerial.

 

3. Nove marcas do ministério paradigmático de Paulo:

a) I. Bom testemunho.

b) II. Serviço feito com humildade, lágrimas e sofrimento.

c) III. Pregação cristocêntrica.

d) IV. Vida dirigida pelo Espírito Santo.

e) V. Alegria em cumprir a carreira.

f) VI. Autoridade.

g) VII. Compromisso com a Palavra de Deus e com o Deus da Palavra.

h) VIII. Desapego dos bens materiais.

i) IX. Reconhecimento da igreja.

 

I. BOM TESTEMUNHO — "Vós bem sabeis, desde o primeiro dia em que entrei na Ásia, como em todo esse tempo me portei no meio de vós" (v. 18)

 

1. É dado sobretudo por Deus (1 Ts 2.5,10; Mt 3.13-17).

 

2. É dado também pelos que estão à nossa volta — decorre do nosso porte, que abarca conduta e postura (o que somos e o que aparentamos ser), e é demonstrado diante de todos (1 Co 10.32).

 

3. É um pré-requisito para ser um ministro que cuida do trabalho material — boa reputação, cheio do Espírito e de sabedoria (At 6.3).

 

4. É um pré-requisito para ser um ministro da Palavra — em 1 Timóteo 3.1-7, ao mencionar as características do bispo (gr. episkopos, "supervisor"), Paulo só fala de porte.

a) "Convém, pois, que o bispo seja" — um exemplo para os salvos:

- Irrepreensível — não significa ser perfeito, e sim ter maturidade e um comportamento cristão exemplar; ser livre de toda a acusação válida, aprovado (2 Tm 2.15).

- Marido de uma mulher — a ideia não é de proibição a um novo casamento. Aqui há quatro ensinamentos embutidos:

(1) É desejável e conveniente que o ministro seja casado.

(2) O casamento, segundo a Palavra do Senhor, é monogâmico — Deus condena a poligamia.

(3) O casamento, segundo a Bíblia, deve ser celebrado entre homem e mulher.

(4) Principal ensinamento: no casamento deve haver fidelidade marital ou conjugal.

- Vigilante — temperante; quem tem sobriedade e uma mente sã, uma consciência limpa.

- Sóbrio — quem tem controle do corpo e da mente; quem tem autodomínio; equilibrado.

- Honesto — ético, justo, correto, honrável, cuja conduta merece estima (1 Ts 4.12; Jó 1.1). Como ser honesto no país do jeitinho?

- Hospitaleiro — gr. philoxenos, "que ama os estrangeiros". O obreiro do Senhor não pode ser xenófobo.

- Apto para ensinar — qualificado para ensinar; para não ser envergonhado (2 Tm 2.15). Um obreiro que cresce na graça e no conhecimento (2 Pe 3.18).

- Não dado ao vinho — a ideia aqui é de embriaguez (Ef 5.18).

- Não espancador — não violento.

- Não cobiçoso de torpe ganância — Existe boa ganância?

- Moderado — em contraste com contencioso; cordato, polido, respeitoso (At 7).

- Não contencioso — amável; inimigo de contendas.

- Não avarento — avareza é idolatria (Ef 5.5); o perigo do amor ao dinheiro (1 Ts 2.5; 1 Tm 6.9,10).

- Que governe bem a sua própria casa, tendo os filhos em sujeição, com toda a modéstia — parêntese: "(porque, se alguém não sabe governar a sua própria casa, terá cuidado da igreja de Deus?)" (v. 5; cf. 1 Tm 5.8).

- Não neófito — "[diáconos] sejam primeiro provados" (1 Tm 3.10).

(1) Novo convertido pode ensoberbecer-se e cair na condenação do Diabo.

(2) Com quantos anos Jesus começou seu ministério?

(3) São os neófitos que se ocupam de discussões inglórias, fúteis, que a nada levam; questões loucas (2 Tm 2.23).

b) "Convém, também, que tenha bom testemunho dos que estão de fora" — exemplo para o mundo:

- Em resumo, tudo o que foi mencionado antes é importante para nos tornar "exemplo dos fiéis" (1 Tm 4.12) ou "exemplo do rebanho" (1 Pe 5.3), mas deve ser notado também pelas pessoas do mundo, sendo um exemplo para o mundo (Mt 5.14-16; Fp 2.14,15).

- Para não cair em afronta e no laço do Diabo.

 

II. SERVIÇO FEITO PARA O SENHOR COM HUMILDADE, LÁGRIMAS E SOFRIMENTO — "Servindo ao Senhor com toda a humildade e com muitas lágrimas e tentações, que, pelas ciladas dos judeus, me sobrevieram" (v. 19)

 

1. Servo do Senhor é o principal título do obreiro do Senhor:

a) Seremos julgados como servos no Tribunal de Cristo — adjetivos para o servo: bom/mau; fiel/infiel; útil/inútil.

b) Muitos supervalorizam títulos, mas nós seremos julgados pela fidelidade:

- Não é o título que faz a pessoa; é a pessoa quem faz o título — Filipe (At 8; 21).

- Qual é o único título que permanecerá no Céu? (Ap 22.3).

 

2. O termo "humildade" usado por Paulo denota "humildade de mente":

a) Alude à humildade como fruto do Espírito:

- Uma humildade que se manifesta de dentro para fora (Cl 3.12; 1 Pe 5.5,6; 2 Cr 7.14,15).

- Humildade do coração (Mt 11.28-30).

b) Deus resiste aos soberbos e só usa de fato os servos humildes (Is 42.8; Tg 4.6; Sl 138.6; 1 Co 1.26-28; Pv 27.2; 25.27; 2 Co 10.12).

c) Homens que Deus usou:

- Moisés — libertador de Israel: "Eu nunca fui eloquente", "sou pesado de boca" (Êx 3.11; 4.10).

- Saul — rei de Israel: considerava-se pequeno a seus próprios olhos (1 Sm 15.17).

- Davi — rei de Israel: considerou-se um cão morto e uma pulga ante a perseguição do rei Saul (1 Sm 24.14).

- Salomão — rei de Israel: "não passo de uma criança, não sei como conduzir-me" (1 Rs 3.7).

- Isaías — profeta: "Ai de mim" (Is 6.1-8).

- Jeremias — profeta: "Eis que não sei falar, porque não passo de uma criança" (Jr 1.6,7).

- Jesus — o Deus-Homem (Fp 2.5-11).

- Maria — mãe do Salvador (Lc 1.46-48).

- João Batista — precursor de Cristo; sua entrevista aos sacerdotes e levitas (Jo 1.19-23; 3.30).

- Pedro — um dos principais apóstolos; deu toda glória a Jesus (At 3.11-16; 4.1-10).

- Paulo — o principal apóstolo: "nem o que planta é alguma coisa, nem o que rega, mas Deus, que dá o crescimento"; não aceitou adoração em Listra (1 Co 3.5-7; At 14.8-18).

 

3. Lágrimas e sofrimento:

a) Paulo era homem de lágrimas — elas representavam principalmente o seu amor para as igrejas perseguidas (2 Co 2.4).

b) Na província da Ásia havia muitos falsos judeus que perseguiam as igrejas:

- Esmirna: "Eu sei a blasfêmia dos que se dizem judeus e não o são, mas são a sinagoga de Satanás" (Ap 2.9).

- Filadélfia: "Eis que eu farei aos da sinagoga de Satanás (aos que se dizem judeus e não são, mas mentem), eis que eu farei que venham, e adorem prostrados a teus pés, e saibam que eu te amo" (Ap 3.9).

c) Os crentes eram perseguidos pela sinagoga de Satanás, uma congregação de falsos judeus — blasfemados (1 Co 4.13) e chamados de:

- Canibais — por celebrarem a Ceia do Senhor (cf. Jo 6.56).

- Imorais — por celebrarem a festa do Agape (cf. 1 Co 11.17-21).

- Ateus — por não se dobrarem ante as imagens de escultura (At 19.26).

- Desleais ao imperador — por chamarem Jesus de único e suficiente Senhor e Salvador (Iesous Kurios). A adoração ao imperador (Kaiser Kurios) era compulsória.

d) Todo servo de Deus verdadeiro é tentado, provado e perseguido (2 Tm 2.3,4; 2 Co 10.4,5; Ef 6.11; 1 Pe 5.8,9; Ef 4.27; Mt 4.1-11; 5.10-12; At 14.22; Rm 5.1-5; 2 Co 4.17; Rm 8.18 etc.).

 

III. PREGAÇÃO CRISTOCÊNTRICA — "como nada, que útil seja, deixei de vos anunciar e ensinar publicamente e pelas casas, testificando, tanto aos judeus como aos gregos, a conversão à Deus e a fé em nosso Senhor Jesus Cristo" (vv. 20,21)

 

1. Paulo recebeu do Senhor um ministério centrado em Cristo — "ministério que recebi do Senhor para dar testemunho do evangelho da graça de Deus" (v. 24). Ele pregava Cristo crucificado (1 Co 1.22,23; 2.1-5).

 

2. Como está a pregação em nossos dias?

 

3. O perigo do pragmatismo — os adeptos dessa influência filosófica pregam o que funciona, o que dá resultado, em detrimento dos princípios, doutrinas e mandamentos bíblicos (Mt 7.13,14; Jo 7.16; 6.60-69).

 

IV. VIDA DIRIGIDA PELO ESPÍRITO SANTO — "E, agora, eis que ligado eu pelo espírito, vou para Jerusalém, não sabendo o que lá me há de acontecer, senão o que o Espírito Santo de cidade em cidade me revela, dizendo que me esperam prisões e tribulações" (vv. 22,23)

 

1. A agenda de Paulo estava nas mãos de Deus — era o Senhor quem lhe abria portas (1 Co 16.8,9 c/ At 16; 2 Co 2.12-14).

 

2. Paulo era cheio do Espírito. O que é isso?

a) Não é ser batizado com o Espírito (At 2.4; 4.31).

b) Não é ter dons (1 Co 1.7; 3.3).

c) É ser dominado pelo Espírito (At 8).

 

3. "Enchei-vos do Espírito" (Ef 5.18):

a) Não ser cheio do Espírito é um pecado?

b) Devemos ser sempre cheios do Espírito: "Enchei-vos [continuamente] do Espírito" — a expressão "cheio do Espírito" no NT:

- Lucas: 1.15,41,67; 4.1.

- Atos: 2.4; 4.8,31; 6.3,5; 7.55; 9.17; 11.24; 13.9,52.

 

V. ALEGRIA EM CUMPRIR A CARREIRA — "em nada tenho a minha vida por preciosa, contanto que cumpra com alegria a minha carreira" (vv.19,23,24)

 

1. Não confunda carreira ministerial com carreira profissional — a chamada é um ato soberano do Senhor (Mc 3.13; Ef 4.11). Muitos, hoje, põem a formação à frente da chamada.

 

2. O nosso contentamento vem do Senhor (Fp 4.11-13; Jo 16.33; 2 Tm 4.7,8) — nossa motivação deve ser o amor a Deus, ao ministério, aos pecadores, aos irmãos. Quem tem como motivação o dinheiro desvia-se da verdade (1 Tm 6.10; 2 Pe 2.1-3; Tt 1.11)

 

VI. AUTORIDADE — ele tinha certeza de que sua chamada lho fora outorgada pelo Senhor: "e o ministério que recebi do Senhor Jesus" (v. 24)

 

1. Paulo não foi feito obreiro pelos homens — mas pela vontade de Deus (1 Rs 12.31; 13.33; 2 Rs 17.32,33; 2 Cr 36.1).

 

2. Paulo tinha autoridade, e não autoritarismo:

a) Não confunda firmeza e autoridade com autoritarismo — Paulo tinha autoridade porque fora chamado por Deus (1 Co 1.1; 2 Co 1.1)

b) O que é autoridade?

- Integridade moral (1 Tm 3.5-7).

- Ousadia no falar (At 4.31).

- Postura adequada (1 Tm 4.12).

- Idoneidade para ensinar (Tt 2.15).

- Capacidade para dirigir (Sl 78.72).

- Confirmação divina das palavras pronunciadas (1 Rs 17.1; 2 Rs 2.10; Nm 16.6-11,24-35; At 8.19-24; 1 Sm 3.19; 9.6).

 

VII. COMPROMISSO COM A PALAVRA DE DEUS E COM O DEUS DA PALAVRA (vv. 25-31)

 

1. A Bíblia é a nossa fonte primacial de autoridade — a nossa regra de fé, de prática e de viver (1 Co 4.6; 15.1-4; 11.23; 2 Tm 4.1-5 etc.).

 

2. Paulo era um apologista — o termo grego apologia diz respeito à defesa de acusações infundadas.

a) Apologética denota defesa — cf. Apologia de Sócrates, de Platão, séc. V a.C.

- O termo apologia no Novo Testamento (1 Pe 3.15; Fp 1.7,16; At 22.1; 25.16; 1 Co 9.3; 2 Co 7.11; 2 Tm 4.16).

- O que devemos pregar? "A totalidade da Igreja deve levar a totalidade do Evangelho à totalidade do mundo". E a totalidade do Evangelho é cristocêntrica.

b) Na pós-modernidade, há, pelo menos, dez verdades cristocêntricas pelas quais os apologistas devem lutar:

- O primado das Escrituras (2 Tm 3.16,17).

- A soberania e a presciência de Deus.

- A concepção virginal de Jesus Cristo e seu nascimento sobrenatural — a doutrina do Deus-Homem.

- A nossa natureza pecadora.

- A morte de Jesus como nosso substituto penal.

- A exclusividade de Jesus como o único caminho para a salvação.

- As distinções entre os sexos masculino e feminino designadas por Deus — questões de gênero são muito usadas contra o Evangelho na pós-modernidade.

- Os eternos tormentos conscientes no Inferno.

- A proeminência do Reino de Deus sobre a cultura humana.

- O reconhecimento de que Satanás e os demônios são reais e estão ativos no mundo.

 

3. Faz parte da exposição do Evangelho o combate às heresias — de dentro e de fora, isto é a defesa (apologia) do Evangelho (Fp 1.16; 2 Co 11; Tt 1.10,11; Fp 3.18; Gl 1.8).

 

4. Não devemos tolerar heresias e modismos —  os que vêm de fora e os que surgem entre nós (2 Pe 2.1,2).

 

VIII. DESAPEGO DOS BENS MATERIAIS — "De ninguém cobicei a prata, nem o ouro, nem o vestuário" (vv. 32-35).

 

1. Está difícil achar obreiros desapegados.

 

2. Sejamos como Paulo, e não como Demas (2 Tm 4.10).

 

IX. RECONHECIMENTO DA IGREJA (vv.36-38)

 

1. Ao se despedir, de joelhos, em oração, levantou-se um grande pranto — hoje, temos pregadores humoristas e animadores de auditório.

 

2. Paulo foi abraçado e beijado afetuosamente por todos (v. 37, kataphileō, "beijar fervorosamente"; cf. Lc 15.20).

 

3. Ele deixou saudades (cf. 2 Cr 21.20).

 

4. A igreja via nele, com certeza, algumas características que todo líder deve ter:

a) Vitalidade física e energia (Js 14.10,11).

b) Disposição para aceitar responsabilidades e novos desafios — adaptabilidade (At 8.4-8,26-40; Êx 2.10,15; 3.10; Hb 13.14).

c) Competência para o cargo — o líder deve buscar capacitação a cada dia e nunca pensar que já sabe tudo (Pv 22.29; Js 1.9; 2 Tm 2.21).

d) Disposição para motivar o grupo — e sempre acreditar que é possível alcançar os objetivos (Nm 13.30).

e) Habilidade para conquistar e manter a confiança (Jo 6.67-69).

f) Sabedoria para administrar, decidir, estabelecer prioridades (At 15.13-33).

g) Sabedoria para lidar com as pessoas (Lc 10.25-37; Tg 1.5,6).

 

CONCLUSÃO

 

1. A partida de Mileto — seu espírito, sob o controle do Espírito Santo, sentia-se compelido, no momento em que discursava, a ir a Jerusalém. De Mileto navega a Cós, passa por Rodes, Pátara, onde embarca para Tiro e Ptolemaida, na Síria (num navio de carga para a Fenícia). Chega a Cesareia. E, então, vai por terra a Jerusalém.

 

2. Paulo é preso no Templo, em Jerusalém — judeus fanáticos queriam linchá-lo, mas Paulo é levado a uma prisão/fortaleza em Cesareia. A prisão em Jerusalém era controlada pelos sacerdotes e, possivelmente, anexada ao palácio do sumo sacerdote ou ao Templo (At 5.17-42). Paulo é encarcerado em Jerusalém na fortaleza de Antônia (At 21.33,34; 23.10).

 

3. Paulo fica preso dois anos em Cesareia (At 24.27) — Felix quis agradar os judeus e, por isso, mantém Paulo encarcerado.

a) Ele fica preso no Pretório de Herodes (At 23.35).

b) Detalhes de seu julgamento com muitos vaivéns estão em Atos 22-26 — envolve as coortes judia e romana: o sumo sacerdote Ananias não pôde condená-lo porque Paulo era romano; os governadores romanos (Félix e Festo) e Herodes Agripa II (Agripa I: mandou matar Tiago; foi comido de bichos; Agripa II: "julgou" Paulo) apreciam o caso. Festo o envia a Roma.

c) Detalhes de sua viagem a Roma e seus primeiros dois anos ali estão em Atos 27-28.

d) Seus últimos dias, possivelmente, foi na masmorra Tullianum (cf. 2 Tm 4.7,8).

 

4. Paulo escreve sete epístolas como o preso do Senhor:

a) Entre 62 e 63, em prisão domiciliar, em Roma — escreveu Colossenses, Filemom (vv. 1,9), Efésios (3.1; 4.1) e Filipenses.

b) Entre 64 e 66, em liberdade, mas preso do Senhor, na Macedônia — escreveu 1 Timóteo e Tito.

c) Em 67, encarcerado em Roma, sob ferrenha perseguição de Nero — escreveu 2 Timóteo (1.8). De acordo com Eusébio, historiador da Igreja do século IV, Paulo foi martirizado durante o regime de Nero, possivelmente em 68.

 

REFERÊNCIAS

 

BALL, Charles Fergunson. A Vida e os Tempos do Apóstolo Paulo. 1. ed. Rio de Janeiro: CPAD, 1998.

CALIGUIRE, Jeff. Os Segredos de Liderança de Paulo. 1. ed. São Paulo: Mundo Cristão, 2004.

DOWLEY, Tim. Pequeno Atlas Bíblico. Rio de Janeiro: CPAD, 2005.

RENAN, Ernest. Paulo, o Décimo-terceiro Apóstolo. 1. ed. São Paulo: Martin Claret, 2003.

ZIBORDI, Ciro Sanches Zibordi. Procuram-se Pregadores como Paulo. Rio de Janeiro: CPAD, 2015.

________. Evangelhos que Paulo Jamais Pregaria. 1. ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2006.

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